O que são

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O que são?

As varizes são veias superficiais anormais, dilatadas, cilíndricas ou saculares, tortuosas e alongadas, caracterizando uma alteração funcional da circulação venosa do organismo, com maior incidência no sexo feminino.

As principais queixas clínicas dos pacientes são: dor tipo “queimação” ou “cansaço”, sensação das pernas estarem pesadas ou ardendo, edema (inchaço) das pernas, principalmente ao redor do tornozelo, que, frequentemente, melhoram com a elevação dos membros inferiores e agravam-se no fim do dia, quando se permanece por longo tempo em pé ou sentado, no calor, nos períodos próximos ou durante a menstruação e também durante a gravidez.

Não existe nenhuma relação estabelecida entre a formação de varizes e depilação ou uso de salto alto, assim como não há influência com relação a carregar peso. Subir escada pode ser considerado até um exercício físico, portanto, ajuda a incrementar o retorno venoso.

A ginástica, desde que recomendada pelo médico e acompanhada por professores de educação física, não provoca varizes e também é bastante aconselhável para evitá-las.

Dicas úteis para evitar varizes:

  • Evitar ganhos exacerbados de peso.
  • Dieta rica em fibras para evitar a constipação intestinal.
  • Procurar não permanecer muito tempo parado em pé ou sentado.
  • Realizar caminhadas e/ou exercícios físicos com supervisão.
  • NÃO FUMAR!
  • Utilizar meias elásticas, quando for possível, principalmente durante a gravidez.
  • Evitar hormônios anticoncepcionais.
  • Consulte regularmente seu cirurgião vascular!

Dúvidas Frequentes

A porcentagem de pessoas portadoras de varizes é muito elevada?
Esta porcentagem é muito elevada e varia entre os países. No Brasil ocorre em 35% das pessoas acima de 15 anos. O número aumenta com a idade. Entre os 30 e 40 anos, atinge 3% dos homens e 20% das mulheres.
Aos 70 anos de idade, 70% dos indivíduos apresentam algum tipo de varizes.

Porque são mais comuns as varizes dos membros inferiores?

Porque o sangue venoso segue do pé em direção ao coração e, daí, para os pulmões para ser oxigenado a fim de retornar aos tecidos para nutri-los. Nos membros inferiores circula contra a ação da gravidade e contra a pressão do abdome, exigindo condições para evitar o refluxo sanguíneo, isto é, que o sangue que já subiu não desça novamente.

Os mecanismos anti-refluxo são:

  • o “bombeamento” do sangue pela musculatura da panturrilha (barriga da perna);
  • a estrutura da parede das veias superficiais nos membros inferiores, cuja espessura é normalmente resistente à dilatação;
  • a presença, dentro das veias, de válvulas (pequenas formações saculares) que impedem o refluxo do sangue.
  • Há condições que favorecem o aparecimento das varizes?


Sim e são denominadas fatores de risco. As condições que favorecem o aparecimento das varizes são:

  • predisposição genética (hereditária, que faz com que o indivíduo já nasça com tendência);
  • gestações (o risco é tanto maior quanto maior o número de gestações);
  • obesidade;
  • permanência durante longas horas em pé ou sentado;
  • falta de exercícios físicos;
  • uso de anticoncepcionais;
  • constipação intestinal (intestino preso);
  • tabagismo;
  • trombose venosa (formação de coágulo dentro da veia, dificultando a passagem do sangue).

O que sente o paciente? Ocorrem complicações?
As principais queixas são:

  • edema (inchação) no tornozelo;
  • sensação de perna cansada e pesada;

Todas as queixas se acentuam no final do dia, sobretudo quando se permanece longas horas em pé ou sentado; no calor; nas mulheres em época menstrual ou durante as gestações.

As complicações são:

  • manchas ocres (mancha de cor escura);
  • eczemas;
  • erisipela – infecção aguda da pele;
  • varicorragia – sangramento abundante decorrente de rotura de veia varicosa;
  • lipodermatoesclerose – pele e tecido subcutâneo espessados e endurecidos;
  • úlcera de estase (ferida geralmente localizada na face interna das pernas, devido ao mal funcionamento das veias).

Tratamento

Como se tratam as varizes?
Depende do tipo de varizes. As varizes calibrosas (com aparência de grossos “cordões” saltados nas pernas) são de tratamento cirúrgico; já as telagiectasias (microvarizes, vasinhos), são tratados pela escleroterapia (injeções no interior dos vasos, levando ao desaparecimento dos mesmos). As veias que são retiradas, por estarem doentes, não colaboram para a circulação; ao contrário, sua retirada causa melhoria na drenagem venosa dos membros inferiores, aliviando sintomas e prevenindo as implicações da evolução da doença.

Há casos, porém, em que se procede apenas ao tratamento clínico. É altamente recomendável a prescrição de meias elásticas medicinais com compressão adequada para cada caso, sobretudo para pacientes com varizes primárias (aparecem apenas por predisposição familiar, sem causa conhecida) que não querem ser operadas, ou que querem adiar a cirurgia. Alguns medicamentos aliviam os sintomas.

Como se faz o planejamento cirúrgico?
Além do exame clínico, o cirurgião pode realizar mapeamento das varizes com Ecodoppler (Ecografia Vascular com Doppler), muito útil e necessário para a boa execução de seu trabalho.

Em que consiste a operação?

Consiste na retirada de veias varicosas, através de pequeníssimas incisões (cortes) e com a ajuda da agulha de “crochet”. Na virilha, no joelho ou onde houver uma veia muito calibrosa, o corte é maior e há necessidade de pontos para fechá-lo. Mesmo assim, a cicatriz, na grande maioria dos casos, é imperceptível.

Atualmente as indicações para tratamento cirúrgico estão bem estabelecidas sendo a retirada das veias safenas (fleboextração) realizada apenas em algumas situações específicas. A avaliação pré-operatória com ultrassom auxilia no planejamento cirúrgico e na decisão quanto a esse procedimento. Como todos sabem, as safenas servem para pontes no coração e, também nas pernas, salvando-as de gangrena. Pode-se operar varizes com anestesia local, em ambiente cirúrgico (de clínica e hospitais), sem necessidade de internação. Em casos de operações demoradas e varizes volumosas utiliza-se a anestesia raqui ou peridural e a hospitalização é necessária, porém geralmente restrita a apenas um dia.

Quais os riscos da operação?

Risco existe em qualquer ato operatório, mas é praticamente zero, sobretudo hoje com as modernas técnicas e cuidadoso exame pré-operatório. Examina-se o paciente e não apenas as suas pernas. As intercorrências que surgem depois da operação são:

  • equimoses (extravazamento de sangue no tecido abaixo da pele alterando sua coloração) e hematomas (coleção de sangue fora do vaso sanguíneo);
  • infecção (raríssima);
  • lesão de nervo – quando acontece traz distúrbio da sensibilidade – áreas de anestesia (área insensível a dor) ou de hiperestesia (área muito sensível a dor) no terço inferior da perna;
  • linforréia ou linfocele – extravazamento de líquido incolor (linfa) por uma cicatriz (linforréia) ou no subcutâneo (linfocele);
  • edema persistente (raríssimo);
  • trombose venosa aguda.

Hoje, os riscos de intercorrências são estatisticamente insignificantes nas operações de varizes realizadas por especialistas.

Fonte: http://www.sbacv.com.br